13.4.07

Sobre projetos e despertadores

E se alguém me perguntasse agora qual o meu projeto de vida, responderia: acordar sem despertador. Não que eu seja uma pessoa preguiçosa de manhã, isso seria fingimento poético. Funciono melhor de dia do que à noite, sou adepta ao sol, não às madrugadas. Mas acordar sem o grito estridente do controlador de sonhos seria a forma de me desprender. E eu seria a dona do meu sono, do meu tempo, das minhas obrigações.

Se alguém me parasse agora na rua pra saber o que, afinal, eu espero desse Brasil, eu responderia: que menos pessoas me perguntem isso, pra ter mais gente executando as respostas. Um tom mal-educado, confesso, mas certamente a abordagem aconteceria na hora mais drástica da minha segunda-feira. E, claro, no dia em que o despertador teria destruído meu melhor sonho.

É um caos. E, no fim, ninguém vai me perguntar nada porque quem faz as perguntas sou eu. É a minha obrigação questionar, forçar, tirar de alguém o que ela não quer. Sou quase um despertador. Sou quase o pesquisador do futuro do Brasil. Quase. O limite tão tênue entre o que sou e o que eu devo ser, quero ser, posso ser, não sei ser. Tenho preguiça de acordar as pessoas, de abordá-las no sol escaldante. Mas, se não sirvo pra ser despertador-pesquisador, não sirvo pra ser jornalista.

E se alguém me perguntasse agora qual o meu projeto de vida, responderia: algo totalmente oposto ao seu.

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