3.5.07

Novo amor

Quero me apaixonar de novo, de preferência por alguém que não preste. Quero achar graça em ficar parada olhando o nada, pensando se ele, que nem me conhece, está parado e palerma pensando em mim também. Quero voltar a escrever que estou sofrendo horrores, só porque ele prometeu ligar e nada dessa joça de telefone dar sinal de vida. Quero me apaixonar, ah, por um amor platônico, biônico, saxofônico. Que eu ache o fim do mundo ficar sem vê-lo mais de 24 horas e largue essa vida de encontros quinzenais. Quero um amor que me mande flores, só pra eu achar ridículo lá no fundo e por fora matar de inveja as mal-amadas. Quero, ah se quero, divagar em textos melosos, contando do ser amado, do sonho na casa do campo e dos belos cômodos povoados de pirralhinhos. Um texto para abominar o trabalho feminino, o pós-doutorado, a vida moderna de corre corre, a dupla jornada de dona de casa que sustenta família, a falta de tempo para esticar as pernas. Quero me apaixonar de novo pra achar que o futuro se resume a você, nossos filhos, um bom fogão, uma geladeira nova e muito chão pra esfregar. E que essa paixão venha logo, pois estou quase sendo sugada por essa vida bandida de mulher independente.

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