26.7.07

Se um dia eu escrever minha biografia, será chata e quadrada.
A menina que não quer salvar o mundo, nem fugir de casa.
Que é santinha do pau oco, quem sabe, mas certinha por costume.
Que não repara em nada, mas sabe de tudo.
Que quer um mundo feliz, mas tem preguiça da revolução.
Que não dorme a tarde, acumula sono e chora quando boceja.
Que fica até o Sol raiar para emendar com o trabalho às 8h.
Que não bebe, não fuma, não cheira e mente um pouquinho.
Que viveria do brigadeiro que sabe fazer ou dos chocolates que sabe gostar.
Que só compromete seu equilíbrio pelo vício descontrolado de doces, de risos e de escrever.
A menina que mentirá pros filhos que foi a mais doidona da faculdade, para não parecer uma mãe tão careta do século passado.
Aquela que nunca esquecerá os amigos que acumulou pela vida toda.
E que sempre agradecerá a família que tem: se pudesse escolher uma, não sairia tão perfeita.

Se um dia eu escrever minha biografia, será chata e quadrada.
Mas será a única forma de conhecerem a menina como ela realmente é.
E a imagem construída, temerão alguns, irá ao chão?

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